
Como combinar roupa sem perder o seu estilo
Como combinar roupa sem perder o seu estilo
Vestir-se bem não é apenas saber combinar cores, proporções ou acessórios. É, antes de tudo, sentir-se bem naquilo que escolhemos vestir.
Há combinações que ficam lindas numa fotografia, numa montra ou noutra pessoa e que, quando experimentamos, simplesmente não nos fazem sentir da mesma forma.
E isso é perfeitamente natural.
Cada pessoa tem os seus gostos, as suas preferências e uma maneira própria de se sentir confortável e bonita. Há quem adore peças mais próximas do corpo e quem prefira modelagens amplas. Quem se sinta melhor com cores neutras e quem dificilmente resista a uma estampa. Quem goste de seguir as tendências de cada estação e quem construa o guarda-roupa quase inteiramente com peças intemporais.
No Atelier Le Chic, gostamos de partir exatamente daí.
A moda pode trazer-nos inspiração, mas aquilo que vestimos precisa, sobretudo, de fazer sentido para nós.
Por isso, mais do que apresentar regras sobre aquilo que “combina” ou não combina, reunimos algumas ideias que podem ajudar a criar looks, experimentar novas possibilidades e aproveitar melhor aquilo que já existe no seu guarda-roupa — sempre respeitando a sua maneira de vestir.
Comece por aquilo que tem vontade de vestir
Nem sempre precisamos de imaginar um look completo de uma só vez.
Muitas vezes, tudo começa por uma peça.
Pode ser aquela saia que apetece usar naquele dia, umas calças de que gosta particularmente, uma camisola nova, um vestido estampado ou até um par de sapatos.
Comece por aí e construa o restante aos poucos.
Se a peça já tem bastante presença, pode escolher acompanhá-la com elementos mais discretos. Mas também pode fazer exatamente o contrário e acrescentar outra cor, uma textura ou um acessório marcante.
Não existe obrigação de neutralizar uma peça apenas porque ela chama a atenção.
O mais interessante é experimentar e perceber qual combinação lhe agrada mais.
Em vez de procurar regras, procure ligações
Uma boa combinação não significa necessariamente que todas as peças tenham a mesma cor ou pertençam ao mesmo estilo.
Às vezes, basta existir uma pequena ligação entre elas.
Pode ser uma tonalidade presente numa estampa que reaparece na camisola. O castanho de uma mala que conversa com o calçado. Um detalhe metálico que surge novamente nos acessórios. Ou diferentes tons da mesma família usados em conjunto.
Também podemos criar ligações através das texturas ou fazer justamente o contrário e trabalhar com contraste.
Por isso, quando estiver diante do espelho, em vez de perguntar apenas “isto combina?”, experimente perguntar:
“Eu gosto de me ver assim?”
É uma pergunta simples, mas talvez seja uma das mais importantes.
As cores são uma possibilidade de expressão
Combinar cores pode parecer complicado, mas não precisa de ser.
Os tons neutros são excelentes aliados e permitem inúmeras combinações. Preto, cru, bege, camel, castanho, cinzento ou azul-marinho podem servir de base para muitos guarda-roupas.
Mas não existe nenhuma razão para parar por aí se você gosta de cor.
Beringela com cru, castanho com azul, verde com camel, bordô com rosa. Uma estampa que reúne diferentes tonalidades. Uma mala que cria um ponto de cor num conjunto mais neutro.
Há muitas maneiras de construir harmonia.
E também não precisamos gostar das mesmas cores durante toda a vida. O nosso olhar muda, as estações mudam e, às vezes, descobrimos que aquela tonalidade que nunca tínhamos considerado fica lindíssima quando experimentamos.
A cor pode ser uma maneira muito simples de trazer novidade ao guarda-roupa sem mudar a nossa identidade.
Proporção ajuda a construir um look — mas não determina o que você deve vestir
Trabalhar diferentes volumes e comprimentos pode mudar completamente uma combinação.
Podemos colocar uma camisola ampla com umas calças mais ajustadas, usar uma peça curta sobre outra mais comprida ou marcar a cintura para criar uma determinada silhueta.
São possibilidades de styling.
Mas não são obrigações.
Uma mulher magra não precisa de gostar de roupa justa simplesmente porque determinado corte evidencia a sua silhueta. Da mesma forma, ter mais curvas não significa precisar de evitar uma peça ampla, um vestido comprido ou determinada modelagem.
Há quem se sinta lindíssima com umas calças largas e uma camisola igualmente fluida. Há quem prefira uma silhueta mais marcada. E há quem goste das duas coisas, dependendo do dia.
No Atelier, preferimos não começar pelo que determinado corpo supostamente “deveria” vestir.
Preferimos perceber como aquela pessoa gosta de se ver e de se sentir.
A partir daí, podemos experimentar proporções, comprimentos e modelagens até encontrar uma combinação que funcione não apenas visualmente, mas também no conforto e na confiança de quem a veste.
O caimento importa — e conforto também
Às vezes encontramos uma peça bonita, na nossa cor e aparentemente no tamanho certo, mas alguma coisa não funciona quando a vestimos.
Pode ser o tecido, o comprimento, uma manga que incomoda, a cintura, a forma como a peça acompanha os movimentos ou simplesmente a sensação que temos quando nos vemos ao espelho.
Tudo isso importa.
Uma peça não precisa de estar justa ao corpo para ter um bom caimento. Uma modelagem ampla pode cair lindamente e criar uma silhueta elegante e fluida.
Da mesma forma, uma peça mais estruturada pode ser extremamente confortável quando o corte funciona para aquela pessoa.
O conforto não é apenas uma questão física. Existe também o conforto de não passar o dia a pensar na roupa que estamos a usar.
Quando podemos caminhar, sentar, trabalhar, conversar e viver normalmente sem estar constantemente a puxar uma saia, ajeitar uma camisola ou sentir que estamos vestidas como outra pessoa, alguma coisa está certa.
As texturas podem fazer muito por uma combinação
Nem sempre precisamos de acrescentar mais cor para tornar um look interessante.
Misturar diferentes texturas pode trazer profundidade até a uma combinação muito simples.
Uma malha com uma saia fluida. Ganga com um tecido mais delicado. Camurça com alfaiataria. Uma camisola texturada sobre umas calças de linhas simples.
Esses contrastes ajudam a criar interesse e podem ser especialmente bonitos quando trabalhamos dentro de uma paleta de cores mais neutra.
É também uma maneira de experimentar sem sair completamente daquilo em que já nos sentimos confortáveis.
E as estampas?
Uma peça estampada pode parecer mais difícil de combinar quando está sozinha na arara do que realmente é.
Uma maneira simples de começar é observar as cores que já existem na própria estampa e escolher uma delas para outra peça do look.
Mas essa não é a única possibilidade.
Pode combinar uma estampa com neutros, aproximá-la de outra cor ou até misturar padrões, se isso fizer parte da sua maneira de vestir.
O importante é não transformar a estampa numa dificuldade antes mesmo de experimentar.
Às vezes basta vestir para perceber que aquela peça que parecia “demais” na mão fica absolutamente natural em você.
Os acessórios podem mudar a mesma roupa
Uma das coisas de que mais gostamos nos acessórios é a capacidade de alterar a leitura de peças que já usamos muitas vezes.
Uma mala, um cinto, um lenço, uns brincos ou simplesmente outro par de sapatos podem levar a mesma roupa para um caminho completamente diferente.
Um vestido usado com ténis pode ter uma presença mais descontraída. Com outro calçado e uma mala mais estruturada, pode ganhar uma leitura diferente sem deixar de ser o mesmo vestido.
E também aqui não precisamos de procurar uma fórmula.
Mala e sapatos não têm obrigatoriamente de ser da mesma cor. Os acessórios podem complementar o look, criar contraste ou tornar-se protagonistas.
O critério continua a ser aquilo que funciona para você.
Repetir roupa faz parte de vestir bem
Ter um bom guarda-roupa não significa precisar de uma quantidade infinita de peças.
Pelo contrário.
Quando encontramos uma peça que realmente combina connosco, é natural querer usá-la muitas vezes.
Uma saia pode aparecer com uma camisola numa semana e com uma camisa na seguinte. Umas calças podem funcionar com ténis num dia e outro tipo de calçado noutro. Um vestido pode atravessar diferentes momentos simplesmente mudando os acessórios ou acrescentando uma sobreposição.
Descobrir novas combinações para aquilo que já temos é também uma maneira de conhecer melhor o próprio estilo.
E, muitas vezes, são justamente as peças que repetimos que acabam por dizer mais sobre nós.
E quando chega uma nova tendência?
As tendências fazem parte da moda e podem ser muito divertidas.
Uma nova estação traz cores, formas, tecidos e combinações diferentes. Algumas passam por nós sem despertar grande interesse. Outras fazem-nos pensar imediatamente: “isto é mesmo a minha cara.”
É assim que gostamos de olhar para elas.
Como inspiração.
Se a tendência são saias mais justas e você adora esse tipo de saia, aproveite. Mas, se nunca se sentiu bem com elas, não há razão para deixar de usar uma saia ampla e comprida na qual se sente bonita apenas porque outra silhueta está em evidência.
Da mesma forma, não precisamos rejeitar uma tendência simplesmente porque é tendência.
Se gosta, experimente.
Se não gosta, deixe passar.
Estar atual não deveria significar deixar de estar confortável consigo própria.
Não existe um único corpo para uma determinada peça
Também gostamos de ter algum cuidado com aquelas antigas regras que associam determinadas roupas a determinados corpos.
“Esta peça é para mulheres altas.”
“Este comprimento não funciona em mulheres baixas.”
“Este corpo deveria marcar a cintura.”
“Este deveria evitar volume.”
Na prática, vestir é muito mais interessante do que isso.
A mesma peça pode criar efeitos completamente diferentes em pessoas diferentes — e continuar bonita em todas elas.
Uma mulher de 1,80 m e uma mulher de 1,50 m não precisam de vestir-se da mesma maneira. Mas a altura, o peso ou o formato do corpo também não deveriam funcionar como uma autorização para uma usar determinada tendência e a outra não.
Talvez seja necessário escolher outro tamanho, ajustar um comprimento, experimentar outra combinação ou encontrar uma proporção que agrade mais.
Isso faz parte de vestir.
O ponto de partida, porém, continua a ser o mesmo: a pessoa precisa de se sentir bem.
Vestir bem também é bem-estar
No Atelier Le Chic, gostamos muito de moda. Gostamos de descobrir novas coleções, acompanhar cores e tendências, experimentar combinações e encontrar peças especiais.
Mas gostamos ainda mais quando uma cliente se olha ao espelho e percebemos que está verdadeiramente confortável com aquilo que vê.
É por isso que o aconselhamento, para nós, não começa por tentar encaixar alguém numa determinada ideia de elegância.
Começa por ouvir.
Há peças que podemos sugerir e que uma cliente simplesmente não gosta de ver em si. E há outras que talvez não fossem a escolha mais óbvia segundo alguma antiga regra de styling, mas que fazem aquela pessoa sentir-se lindíssima.
Essa informação vale muito.
Podemos ajudar a encontrar uma cor, trabalhar uma proporção, sugerir um sapato, experimentar uma sobreposição ou mostrar uma combinação diferente.
Mas o objetivo não é vestir todas as mulheres da mesma maneira.
É ajudar cada uma a sentir-se bem na sua.
Porque tendências mudam, coleções mudam e o nosso próprio gosto também pode mudar ao longo do tempo.
No final, talvez uma das melhores perguntas diante do espelho continue a ser a mais simples:
“Sinto-me bem assim?”
Se a resposta for sim, temos um ótimo lugar por onde começar.

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