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Curadoria de moda: como escolhemos cada peça do Atelier Le Chic

Curadoria de moda: como escolhemos cada peça do Atelier Le Chic

Curadoria de moda: como escolhemos cada peça do Atelier Le Chic

Uma loja pode ter milhares de peças.

Nós preferimos começar por outra pergunta: quais delas merecem estar aqui?

Esta pergunta acompanha cada coleção, cada visita a um fornecedor, cada reunião com uma marca e cada nova estação do Atelier Le Chic.

Porque aquilo que chega aos nossos charriots não começa numa encomenda.

Começa numa escolha.

Antes de uma peça aparecer no site, antes de ser fotografada, antes de chegar à loja e muito antes de uma cliente a experimentar, existe um processo que nem sempre se vê.

Há pesquisa.

Há reuniões.

Há viagens.

Há conversas.

Há peças que são vistas, tocadas, experimentadas e analisadas.

Há coleções inteiras que passam diante dos nossos olhos para que apenas uma parte delas siga caminho até Braga.

E há também muitos “não”.

Porque fazer curadoria não é escolher tudo aquilo que é bonito.

É saber por que escolhemos uma peça — e por que deixamos outra de fora.

O que significa, afinal, fazer curadoria de moda?

A palavra curadoria é hoje utilizada com bastante frequência na moda.

Mas, para nós, ela não é apenas uma forma mais bonita de dizer que escolhemos produtos para vender.

Curadoria pressupõe critério.

Pressupõe conhecer aquilo que já existe, observar, comparar, selecionar e construir uma relação entre diferentes peças, marcas, estilos e necessidades.

Sobretudo, pressupõe fazer escolhas com uma intenção.

No Atelier Le Chic, não queremos reunir roupa apenas porque pertence à nova coleção de determinada marca ou porque uma tendência está a aparecer em todo o lado.

Perguntamo-nos se aquela peça acrescenta alguma coisa àquilo que já temos.

Se o material corresponde àquilo que esperamos.

Se a construção nos convence.

Se a modelagem é interessante.

Se o preço faz sentido para aquilo que a peça oferece.

Se conseguimos imaginar diferentes mulheres a vesti-la.

Se conversa com outras peças da nossa seleção.

E, finalmente:

faz sentido dentro do Atelier Le Chic?

Essa última pergunta talvez seja a mais difícil.

Porque a curadoria não é uma soma de peças bonitas.

É a construção de uma identidade.

A curadoria começa fora do Atelier

Grande parte deste trabalho acontece longe da loja.

A Manu envolve-se pessoalmente na escolha das coleções.

Desloca-se aos fornecedores, participa em reuniões, conhece novas propostas, revê marcas com as quais já trabalhamos e procura outras que possam acrescentar alguma coisa àquilo que estamos a construir.

E quando está diante de uma coleção, não olha apenas.

Toca.

Pega na peça.

Sente o tecido.

Observa o acabamento.

Percebe o peso.

Vê como se movimenta.

Experimenta.

Veste.

Procura perceber como aquela modelagem se comporta fora do cabide e fora da fotografia.

Porque uma imagem pode despertar interesse.

Mas uma peça de roupa foi feita para existir no corpo.

E existe informação que só aparece quando a vestimos.

Há tecidos que parecem uma coisa e são outra.

Há peças que ganham completamente outra vida quando vestidas.

Há modelagens que surpreendem.

Há acabamentos que confirmam aquilo que esperávamos.

E há também peças que eram muito interessantes no catálogo e que deixam de nos convencer quando finalmente as temos nas mãos.

É por isso que o toque importa.

Não como um gesto romântico apenas, mas como parte do conhecimento necessário para escolher.

Bonito, sozinho, não chega

Naturalmente, queremos peças bonitas.

A moda também existe pelo prazer que sentimos quando olhamos para alguma coisa e pensamos imediatamente: que bonita.

Mas esse primeiro encantamento não pode ser o único critério.

Tentamos observar também a qualidade percebida dos materiais, a construção, os acabamentos, o conforto, o caimento, a funcionalidade e a relação entre aquilo que a peça oferece e o seu preço.

Nem todas as peças precisam de ser extraordinariamente sofisticadas.

Uma boa camisola para o quotidiano e um vestido especial cumprem funções diferentes.

O nosso trabalho é perceber se cada uma está bem conseguida dentro daquilo que se propõe a ser.

E isto é importante.

Curadoria não significa procurar apenas peças caras.

Também não significa escolher apenas peças diferentes.

Significa procurar peças em que consigamos reconhecer valor.

Às vezes esse valor está num tecido.

Noutras, numa modelagem.

Numa estampa.

Num acabamento.

Na versatilidade.

Na forma como veste.

Ou simplesmente naquela combinação difícil de explicar entre simplicidade e beleza que faz uma peça continuar interessante muito depois do primeiro olhar.

Nem tudo o que vemos entra

Talvez esta seja uma das partes mais importantes da curadoria.

Nós vemos muito mais do que aquilo que compramos.

Conversamos com diferentes marcas e fornecedores. Conhecemos propostas. Recebemos apresentações. Vemos coleções.

Algumas relações avançam.

Outras não.

E mesmo entre as marcas que fazem parte do Atelier, não significa que compremos tudo aquilo que uma coleção apresenta.

Selecionamos.

Uma marca pode ter cinquenta referências e apenas algumas fazerem sentido naquele momento para nós.

Pode existir uma peça muito bonita que simplesmente não acrescenta nada à seleção atual.

Outra pode ser interessante, mas ter uma relação qualidade-preço que não nos convence.

Uma modelagem pode não corresponder àquilo que procuramos.

Ou podemos simplesmente sentir que aquela proposta não conversa com a identidade que estamos a construir.

Dizer não também faz parte do trabalho.

Porque, se tudo entra, deixa de existir curadoria.

Mais de 3 mil clientes também participam desta escolha

Existe uma pessoa que conduz diretamente a curadoria: a Manu.

Mas seria errado dizer que ela a faz sozinha.

De certa forma, as nossas clientes também estão presentes em cada escolha.

Ao longo da nossa história, já atendemos mais de 3 mil clientes.

E cada atendimento deixa conhecimento.

Uma pergunta sobre um tamanho.

Uma cliente que diz que gostaria de encontrar determinado tipo de calças.

Outra que procura uma manga diferente.

Uma mulher que adorou uma determinada modelagem.

Outra que nos diz por que não se sentiu confortável nela.

Uma peça que desaparece rapidamente.

Outra que recebe muitos elogios, mas poucas mulheres acabam por levar.

Um tamanho que é pedido repetidamente.

Uma cor que surpreende.

Um tecido ao qual as clientes regressam.

Tudo isso ensina.

Não significa que a curadoria seja determinada apenas pelo que vendeu ontem. Se fizéssemos isso, correríamos o risco de repetir continuamente as mesmas escolhas.

A curadoria também precisa de trazer novidade, provocar curiosidade e apresentar possibilidades que talvez as nossas clientes ainda não tenham considerado.

Mas hoje a Manu não entra numa reunião com um fornecedor levando apenas o seu gosto pessoal.

Leva consigo tudo aquilo que o Atelier já aprendeu.

Leva milhares de atendimentos.

Conversas.

Provas.

Dúvidas.

Pedidos.

Elogios.

Devoluções.

Descobertas.

E essa memória vai afinando o olhar.

Não escolhemos para uma mulher imaginária

Existe ainda uma ideia da qual procuramos fugir.

A de que existe uma única “mulher Atelier Le Chic”.

Não existe.

As mulheres que nos procuram têm idades diferentes, corpos diferentes, rotinas diferentes e maneiras muito diferentes de relacionar-se com a moda.

Algumas adoram tendências.

Outras pouco se importam com elas.

Algumas querem cor.

Outras procuram neutros.

Há quem adore uma peça marcante e quem prefira construir um guarda-roupa discreto.

Por isso, fazer curadoria não significa tentar fazer com que todas se pareçam.

Significa construir uma seleção suficientemente coerente para ter a identidade do Atelier e, ao mesmo tempo, suficientemente diversa para permitir diferentes identidades dentro dela.

Essa diferença é fundamental.

A curadoria tem a nossa assinatura.

Mas não queremos que ela imponha a nossa assinatura à mulher que entra.

Queremos que ela encontre ali alguma coisa que possa transformar em sua.

Tendências entram. Mas não entram sozinhas.

Naturalmente, acompanhamos a moda.

Vemos novas cores, silhuetas, materiais, estampas e tendências.

Faz parte do nosso trabalho.

Mas uma tendência não ganha automaticamente um lugar no Atelier apenas porque está na moda.

Perguntamo-nos sempre se conseguimos integrá-la na nossa curadoria e, principalmente, na vida das mulheres que atendemos.

Às vezes a resposta é sim.

Outras vezes, não.

E algumas vezes escolhemos apenas uma interpretação mais subtil daquela tendência.

Porque acreditamos que a moda deve oferecer possibilidades.

Não obrigações.

Como escrevemos quando explicámos por que o Atelier Le Chic é um Atelier, não queremos adaptar a mulher à moda. Queremos ajudar a moda a encontrar um lugar na vida dela.

Leia também nas Notas do Atelier:
No Atelier, o que é personalizado não é a roupa. É a experiência

A curadoria é uma das maneiras de tornar isso possível.

Poucas unidades também fazem parte da escolha

Existe outra característica importante da nossa forma de comprar.

Não procuramos encher o Atelier com grandes quantidades da mesma referência.

Preferimos trabalhar, sempre que possível, com poucas unidades por modelo e renovar a seleção com frequência.

Há uma razão comercial e operacional para isso, naturalmente.

Mas existe também uma razão de identidade.

Gostamos da ideia de que uma cliente possa regressar ao Atelier e encontrar coisas novas.

Que os charriots se transformem.

Que uma visita não seja exatamente igual à anterior.

E que as peças que escolhemos não estejam presentes em quantidades massificadas.

Não vendemos peças exclusivas no sentido tradicional da palavra.

As marcas com que trabalhamos podem estar presentes noutros pontos de venda e as peças não são produzidas exclusivamente para nós.

Mas a combinação de seleção criteriosa + poucas unidades + diferentes marcas faz com que muitas referências tenham, dentro do Atelier, um carácter quase exclusivo.

E preferimos ser claros sobre essa diferença.

Não prometemos exclusividade. Procuramos oferecer singularidade.

A curadoria não termina quando fazemos a encomenda

Há ainda uma ideia importante.

A escolha feita no fornecedor não encerra o processo.

Quando as peças chegam a Braga, voltamos a olhar.

Voltamos a tocar.

Experimentamos.

Fotografamos.

Construímos combinações.

Percebemos como uma peça conversa com outra marca que talvez nem estivesse presente quando fizemos a compra.

Uma camisola escolhida num fornecedor pode encontrar umas calças de outra marca.

Um vestido pode ganhar outra leitura com um cinto, um casaco ou um sapato que já fazia parte da seleção.

É aí que marcas diferentes começam a deixar de existir como pequenos universos isolados e passam a fazer parte de uma única curadoria: a do Atelier Le Chic.

E esse processo continua quando a cliente chega.

Porque a curadoria escolhe as possibilidades.

O atendimento ajuda a encontrar, entre elas, aquela que faz sentido para uma pessoa.

Quando uma cliente confia na nossa curadoria

Talvez este seja um dos resultados mais bonitos de todo este trabalho.

Com o tempo, algumas clientes deixam de perguntar apenas:

“Que peças novas chegaram?”

E começam a perguntar:

“O que é que vocês escolheram desta vez?”

Existe uma diferença enorme entre as duas perguntas.

A segunda contém confiança.

Significa que aquela cliente já conhece um pouco o nosso olhar.

Sabe que aquilo que está no Atelier não chegou aqui apenas porque estava disponível para encomenda.

Houve uma escolha anterior.

Houve um crivo.

Alguém viu.

Tocou.

Experimentou.

Pensou.

Comparou.

E decidiu que aquela peça merecia fazer parte da seleção.

Isso não significa que todas as peças serão adequadas a todas as clientes.

Nunca poderiam ser.

Também não significa que todas irão gostar de tudo aquilo que escolhemos.

Nem queremos isso.

Confiar numa curadoria não é confiar que vamos gostar de tudo. É confiar que existe uma razão para aquilo estar ali.

Talvez essa seja uma das maiores responsabilidades que o crescimento do Atelier nos trouxe.

Quanto maior é a confiança, maior precisa de ser o cuidado com a escolha.

A curadoria também precisa de continuar a aprender

Mais de 3 mil clientes ensinaram-nos muito.

Mas não nos ensinaram tudo.

E esperamos que nunca chegue um momento em que pensemos que já sabemos exatamente aquilo que uma mulher quer antes de ouvi-la.

O Atelier muda.

As clientes mudam.

As marcas mudam.

A moda muda.

A vida muda.

E a nossa curadoria precisa de continuar suficientemente segura para ter identidade, mas suficientemente aberta para continuar a aprender.

É por isso que continuamos a procurar fornecedores.

A conhecer marcas.

A estudar coleções.

A ouvir pedidos.

A observar aquilo que acontece nos provadores.

A perceber onde existem necessidades que ainda não conseguimos responder.

A experimentar.

E, quando necessário, a mudar de opinião.

Curadoria não é uma coleção de certezas. É um exercício permanente de atenção.

Afinal, o que significa curadoria para nós?

Talvez pudéssemos resumir todo este processo numa palavra:

intenção.

Nada disto significa que acertamos sempre.

Curadoria continua a ser feita por pessoas. Existem escolhas que surpreendem, outras que ensinam e outras que, olhando para trás, talvez fizéssemos de maneira diferente.

Mas queremos que exista intenção.

Intenção quando a Manu sai de Braga para visitar um fornecedor.

Quando entra numa reunião.

Quando pega numa peça.

Quando toca num tecido.

Quando a veste.

Quando olha para uma modelagem e se lembra de algo que uma cliente lhe disse.

Quando decide comprar.

E também quando decide não comprar.

Queremos que exista intenção quando escolhemos poucas unidades.

Quando juntamos marcas diferentes.

Quando introduzimos uma tendência.

Quando procuramos um tamanho que antes não conseguíamos oferecer.

Quando uma nova entrega chega.

E quando, finalmente, alguém entra no Atelier e encontra aquela peça.

É aí que o trabalho invisível da curadoria se torna visível.

A cliente vê uma camisola.

Um vestido.

Umas calças.

Nós vemos também tudo aquilo que aconteceu antes.

A viagem.

A reunião.

A conversa.

O toque.

A prova.

A dúvida.

A escolha.

O não.

E, finalmente, o sim.

É esse “sim” que coloca uma peça dentro do Atelier Le Chic.

Não porque acreditamos que será perfeita para todas as mulheres.

Mas porque acreditamos que tem alguma coisa para oferecer à mulher certa.

E talvez seja essa a essência da nossa curadoria:

escolher menos, escolher com atenção e escolher pensando em quem um dia poderá encontrar-se naquilo que escolhemos.

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